Última atualização em Qua, 10 de Agosto de 2011 14:12
A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) realiza nos dias 24, 25 e 26 de outubro, o II Seminário Nacional Espaço e Economia: Políticas Territoriais, Intervenção do Estado e Práticas Sociais na Reestruturação do Espaço. O encontro tem como objetivo promover a reflexão e problematização sobre os processos sociais e espaciais em diferentes escalas, a partir de temas como a globalização, atuação do Estado e oposição local-global.
Segundo os organizadores, o II Seminário será um momento de ampliação da interlocução entre pesquisadores tanto de instituições nacionais quanto internacionais acerca das dinâmicas econômica e territorial na escala nacional e na escala mundo.
Num contexto mais amplo, objetiva-se problematizar como a emergência da globalização, modificando o modo de regulação e o regime de acumulação do capital, afetou e continua a afetar profundamente a dinâmica espacial, indicando a necessidade de se analisar a natureza deste fenômeno à luz de uma abordagem geográfica. É neste quadro que se insere este II Seminário Nacional. Partindo do pressuposto de que a compreensão do espaço pode iluminar algumas das questões mais candentes da atualidade —desemprego, exploração do trabalho, atuação do Estado, local-global, novas configurações regionais, políticas públicas —, é fundamental examinarmos como ele tem sido planejado e acionado enquanto peça-chave da reprodução capitalista e do ordenamento do território.
Saber geográfico
Nesse sentido, o momento atual também é propício para se reavaliar a posição dos geógrafos e se questionar o sentido sócio-político do saber geográfico. Historicamente, observa-se os vínculos entre os interesses econômicos e o conhecimento geográfico, seja através da burguesia liberal industrial, da empresa colonial ou das políticas capitaneadas pelos Estados Nacionais. Todavia, autores como Henri Lefebvre, Horácio Capel e David Harvey, ao levarem adiante uma reflexão claramente espacial, têm aberto novas perspectivas interpretativas para se repensar a relação espaço-economia-urbanização.
A ideia lançada por Milton Santos nos anos 90, a respeito do imperativo do “retorno do território”, aponta exatamente a relevância social, política e econômica do conceito em questão nos novos processos emergentes no início do século XXI. Trabalhando com outra matriz epistemológica, porém também enfatizando os laços entre espaço e economia, o geógrafo francês Paul Claval reuniu suas contribuições no terreno da Geografia Econômica entre 1966 e 1985 no livro Chroniques de Géographie Économique (2005).
A seu turno, ao ultrapassarem a noção de Geografia como quadro físico, descritivo e locacional, tais autores nos fornecem um duplo ensinamento: é possível recuperar a história e combater o pensamento único, sugerindo alternativas para uma sociedade mais justa e igualitária através da edificação de uma Geografia mais crítica e com capacidade de intervenção nos fóruns e instâncias da sociedade civil e do Estado.
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Confira a programação do seminário.