03 Mar
O complexo diálogo entre o urbano e o regional
Lido 2769 vezes | Publicado em Notícias | Última modificação em 03-03-2017 17:21:32
 
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A Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional (RBDR), vinculada à Universidade de Blumenau, divulga a sua nova edição que traz como destaque o artigo “O complexo diálogo entre o urbano e o regional”, de Rosa Moura, integrante da Rede INCT Observatório das Metrópoles. Com base em resultados empíricos de tipologias construídas para identificar novas configurações espaciais aglomeradas no país e em pesquisas sobre arranjos institucionais de gestão metropolitana, Moura oferece uma abordagem original para refletir sobre os desafios interinstitucionais e interdisciplinares à governança de unidades espaciais multiescalares brasileiras.

A Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional [RBDR] é uma publicação, em formato eletrônico, do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional [PPGDR], da Universidade Regional Blumenau [FURB]. Sua existência é motivada pela preocupação de se constituir num espaço de debate interdisciplinar qualificado sobre temas relacionados à “questão regional”, sobretudo, no contexto de formações sociais periféricas. Para tanto, veicular-se-ão artigos, ensaios e resenhas, todos inéditos (exceto, se, recentemente, publicados em periódicos não-brasileiros), oriundos de diferentes áreas do conhecimento, especialmente, planejamento urbano e regional, geografia, economia, sociologia e ciência política; mas, acolher-se-ão, também, contribuições provenientes de áreas como arquitetura e urbanismo, comunicação social, direito, serviço social e turismo, entre outras, uma vez que apontem para a temática do desenvolvimento regional.

A seguir um trecho da Apresentação da Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional (2016.2), assinado pelo editor Ivo M. Theis.

 



Editorial

“Se é possível obter água cavando o chão, se é possível enfeitar a casa, se é possível crer desta ou daquela forma, se é possível nos defender do frio ou do calor, se é possível desviar leitos de rios, fazer barragens, se é possível mudar o mundo que não fizemos, o da natureza, por que não mudar o mundo que fazemos, o da cultura, o da história, o da política?” (Paulo Freire)

É com o usual contentamento que se coloca este segundo número de 2016 da Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional em circulação. A existência da RBDR é devida à preocupação com o debate interdisciplinar sobre temas relacionados à “questão regional”, sobretudo, no âmbito de formações sociais periféricas.

Os artigos e ensaios publicados na RBDR podem ser mais “teóricos” ou assumir um caráter mais “empírico”; oferecer interpretações e exames para o desenvolvimento regional latino-americano, em especial, o brasileiro, ou inter- relacionar escalas importantes na explicação de variados processos de desenvolvimento; e, sendo o caso, conferir ênfase aos determinantes causais e referir à atuação de sujeitos e instituições atuantes na produção de trajetórias específicas de desenvolvimento no território.

Os dez artigos deste último número de 2016 adequam-se ao perfil da RBDR, em conformidade com o que foi mencionado no parágrafo anterior.

“O complexo diálogo entre o urbano e o regional” é o primeiro artigo. Com base em resultados empíricos de tipologias construídas para identificar novas configurações espaciais aglomeradas no país e em pesquisas sobre arranjos institucionais de gestão metropolitana, Rosa Moura oferece uma abordagem original para refletir sobre os desafios interinstitucionais e interdisciplinares à governança de unidades espaciais multiescalares brasileiras.

O segundo artigo, assinado por Rodrigo Portugal, Sergio Felipe Melo da Silva, Kleber Antonio da Costa Mourão e Rafael de Almeida Ramos, é “A política regional brasileira em (na) crise: análise dos instrumentos explícitos”. Aí os autores se debruçam sobre os instrumentos explícitos da Política Nacional de Desenvolvimento Regional (Fundos Constitucionais de Financiamento, Fundos de Desenvolvimento Regional e Incentivos Fiscais) com vistas a decifrar seu comportamento em momentos de crise econômica.

Em “Consórcios públicos de resíduos sólidos no Brasil: uma análise do perfil da gestão compartilhada no território”, Rosi Cristina Espindola da Silveira apresenta um interessante e pormenorizado panorama da evolução dos Consórcios Públicos e da gestão consorciada de resíduos sólidos urbanos no Brasil. Ela demonstra que esses instrumentos podem propiciar soluções comuns aos consorciados e, assim, favorecer processos de cooperação regional.

Joelma Ferreira Franzini e Elder Andrade de Paula assinam o artigo seguinte: “O Programa Bolsa Família e os povos indígenas da Amazônia: inserção social precarizada?” Os autores examinam dados que mostram haver deslocamentos atípicos de integrantes de povos indígenas do Acre, o que parece conduzir à erosão de sua territorialidade, caracterizando uma inserção precarizada tanto em seus próprios territórios como nas periferias urbanas.

No artigo seguinte, “Avaliação do desenvolvimento educacional dos municípios da região Norte do Brasil”, Mário Sérgio Pedroza Lobão e Rubicleis Gomes da Silva analisam o perfil educacional dos municípios do Norte brasileiro nos anos de 2000/2010. Os resultados mostram que 263 dos 449 municípios da região apresentam índices de desenvolvimento educacional abaixo da média em 2010. Mas, 184 municípios – 40,98% do total – tiveram aumento significativo do IDEM de 2000 para 2010.

“Sustentabilidade dos sistemas de uso da terra no assentamento agroextrativista do Anauerapucu-AP”, assinado por Irenildo Costa da Silva e Antônio Sérgio Monteiro Filocreão, é o sexto artigo do presente número da RBDR. Trata-se do produto de uma pesquisa, apoiada num conjunto de índices de sustentabilidade, que acabaria revelando (em relação ao assentamento estudado) que sistemas de várzea apresentam maiores benefícios em comparação com sistemas de terra firme.

No sétimo artigo, “A valorização dos produtos tradicionais através da indicação geográfica: o potencial do aratu de Santa Luzia do Itanhy”, Bárbara de Oliveira Brandão e João Antonio Belmino dos Santos examinam as possibilidades de registro do aratu para fins de indicação geográfica. A pesca do aratu é protagonizada por mulheres do povoado Rua da Palha, em Santa Luzia do Itanhy. Os autores concluem que, a despeito das potencialidades do registro, há dificuldades, superáveis apenas via apoio público.

No artigo seguinte, cujo título é “(In)visibilidade das mulheres na pesca artesanal: uma análise sobre as questões de gênero em Miracema do Tocantins”, suas autoras, Soraya Helena de Araújo Mendes e Temis Gomes Parente, tratam da problemática de gênero em uma colônia de pescadoras e pescadores de Tocantins. Apesar de mulheres realizarem diversas atividades relativas à pesca artesanal profissional, identificam-se desigualdades entre aquelas que vivem com seus companheiros e as solteiras.

Em “Segregação residencial, pobreza e acesso às políticas públicas em cidades médias: uma proposta de investigação”, Cláudia Tirelli, Marco André Cadoná e Sílvia Coutinho Areosa propõem uma abordagem teórico-metodológica que possibilite embasar investigações empíricas a respeito de como os projetos habitacionais, em cidades médias, incidem sobre as condições de vida das populações pobres, redefinindo o seu acesso a bens e serviços públicos disponíveis no espaço urbano.

Lidiéli Neves dos Santos, Marco Antonio da Costa Malheiros, Claudio Edilberto Höfler, Sergio Guilherme Schlender e Bruna Gabriela Warmbier assinam o décimo artigo deste número da RBDR, “Identificação do processo de endividamento familiar em Santa Rosa-RS”. Eles procuram identificar fatores que influenciam o endividamento familiar em nível municipal. O caso estudado revela haver comportamentos distintos, sobretudo, considerando dívidas já vencidas e dívidas ainda a vencer.

Finalmente, na seção de resenhas se apresenta, mui brevemente, uma pequena lista de publicações que vieram à superfície ao longo de 2016, podendo interessar às leitoras/aos leitores da RBDR.

Acesse, no link a seguir, a nova edição da Revista Brasileira de Desenvolvimento Regional.

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