10 May
A diversidade de ocupações dos imóveis ociosos
Lido 1019 vezes | Publicado em Artigos Científicos | Última modificação em 10-05-2017 20:10:44
 
Centro Social Autogestionado Can Vies, Barcelona Crédito: Reprodução/Web
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Neste artigo da Revista e-metropolis, Julia Vilela Caminha explora as experiências europeias de Vall de Can Masdeu e Can Vies, localizados em Barcelona; Christiania, em Copenhagen; e Regenbogenfabrik, em Berlim, para discutir a relação entre as ocupações de imóveis ociosos e a intensa mercantilização das cidades e o aumento da especulação imobiliária nas últimas décadas. O trabalho busca demonstrar que as ocupações ajudam na conscientização e emancipação das pessoas, levando-as a exigir mais do que a satisfação das carências “não radicais”, entendendo que as necessidades radicais são parte fundamental da vida do ser humano.

O artigo “A diversidade de ocupações de imóveis ociosos: uma leitura a partir de casos europeus” é um dos destaques da nova edição da Revista eletrônica e-metropolis (nº 28).

Julia Vilela Caminha ( Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. ) é licenciada e bacharel em Geografia, mestre em Planejamento Urbano e Regional - IPPUR/UFRJ.

 

INTRODUÇÃO

Por Julia Vilela Caminha

As ocupações são uma alternativa de acesso à moradia de extrema relevância em países, como o Brasil, onde se acumula nas grandes cidades um grande contingente de imóveis ociosos. Durante as últimas décadas o acesso a imóveis, especialmente os urbanizados, em países capitalistas, tem sido dificultado pela intensa mercantilização das cidades e, consequentemente, pelo aumento indiscriminado da especulação imobiliária. Estados e mercados fracassaram no seu papel de locadores do espaço para todos os segmentos sociais, permitindo o surgimento de inúmeros imóveis vazios e, ao mesmo tempo, de pessoas sem casa. Assim, a própria população procura criar alternativas de acesso à habitação, sendo a ocupação de imóveis vazios uma delas.

As ocupações podem ser entendidas como resultado da espoliação – esta entendida como a sobre-exploração do trabalhador produzida pelas condições precárias de reprodução social na cidade – e de ações subversivas e contestatórias do/pelo trabalhador, a partir do momento que ele se dá conta de sua situação social e econômica, inspiradas e/ou empreendidas por movimentos sociais. Neste sentido, as ocupações possuem potencial para o empoderamento e a “liberação cognitiva” da população, já que permitem a visualização de oportunidades e de apoio coletivo.

Embora todos os tipos de ocupação sejam relevantes, pois significam formas de “viração” dos trabalhadores hiperprecariados em um sistema que os exclui e renega, neste trabalho buscaremos mostrar formas de ocupações urbanas que apresentam projetos políticos, pois acreditamos que nelas haja um maior nível de engajamento contra à propriedade privada, à especulação imobiliária e ao próprio sistema capitalista.

No contexto europeu, as ocupações começaram a ganhar destaque nos anos 1960, durante a época de expansão da contracultura – aqui entendida como a contestação social dos valores e regras instituídos pela cultura ocidental – e contêm sentidos múltiplos. O movimento squatter – nome dado ao movimento em países de língua inglesa – vai além da questão da moradia, lidando com novas formas de gestão e socialização como alternativas às relações socioeconômicas forjadas no capitalismo. É importante notar que a palavra utilizada é diferente da que designa os movimentos de ocupação de praças e ruas a partir da crise de 2008 na Europa e nos Estados Unidos: occupy, o que mostra diferenciação entre os dois movimentos. Porém, os movimentos occupy (conhecido como 15M na Espanha) e squatter estão ligados, sendo diversas as manifestações de apoio mútuo, como o caso do 15M e diversos okupas.

Em termos metodológicos, o artigo é fruto da pesquisa para a dissertação de mestrado, que se utilizou de técnicas como observação de ocupações na Europa e no Brasil, busca no portal de teses da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e levantamento bibliográfico sobre o tema, em especial os desenvolvidos por membros do Squatting Europe Kollective (SqEK) – é importante destacar a existência do SqEK, uma rede composta por acadêmicos e ativistas, em sua maioria europeus, que se uniram visando um melhor entendimento da história e do desenvolvimento dos movimentos de ocupação.

Foram feitas visitas, entre maio e julho de 2014, quatro experiências de ocupações europeias: Vall de Can Masdeu, localizada em Barcelona; Christiania, em Copenhagen e Regenbogenfabrik, em Berlim. A autora também esteve presente nos momentos de desocupação e de consequente recuperação do Centro Social Autogestionado Can Vies, em Barcelona, no mesmo ano. A pesquisadora ainda pode contar com a participação no encontro anual do SqEK, realizado de 20 a 25 de maio de 2015, na cidade de Barcelona, na Espanha, que teve como tema “Ocupação de casas, centros sociais e espaços de trabalho: workshop de alternativas de autogestão ao capitalismo”. Para o artigo, foram realizadas entrevistas produzidas de forma livre, com o diário de campo como instrumento de coleta em todas as situações. Além disso, o artigo também conta com fotografias.

Leia o artigo completo na site da Revista e-metropolis.



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