17 May
Estudos Urbanos Comparados para a América Latina
Lido 4553 vezes | Publicado em Publicações | Última modificação em 18-05-2017 15:03:37
 
tamanho do texto reduzir tamanho do texto aumentar tamanho do texto
Qualifique este item
(0 votos)

O INCT Observatório das Metrópoles promove o lançamento do livro "Estudos Urbanos Comparados: oportunidades e desafios da pesquisa na América Latina”, resultado do projeto de cooperação internacional "Para além das metrópoles globais: análise comparada das metrópoles secundárias no Brasil (Curitiba) e na Argentina (San Miguel de Tucumán)". Organizado pela profª Olga Lúcia Firkowski, a publicação aponta para a intensificação das transformações urbanas ligadas à globalização, processo que tem gerado a reestruturação das metrópoles latino-americanas e o aprofundamento da precariedade das condições de moradia, de trabalho e de vida para grande parte dos seus habitantes.

O lançamento oficial do livro "Estudos Urbanos Comparados: oportunidades e desafios da pesquisa na América Latina” ocorreu, na última segunda-feira (16 de maio de 2017), no Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e contou com debate “América Latina e suas conjunturas atuais” com a participação dos convidados Profª. Drª María Mónica Arroyo (Geografia-USP) e do pesquisador Dimas Floriani (UFPR, CASLA).

O livro também será lançado, no dia 24 de maio, durante o XVII Encontro Nacional da ANPUR (ENANPUR), que acontece em São Paulo.


Segunda a profª Olga Lucia Firkowski, coordenadora do Núcleo Regional Curitiba do Observatório das Metrópoles, o livro é composto de duas partes. A primeira intitulada A pesquisa comparada: elementos teórico-conceituais, reúne em quatro capítulos as contribuições dos convidados que proferiram palestras e participaram de mesas-redondas durante a realização do Colóquio em Estudos Urbanos Comparados – CEUC, em Curitiba, Paraná, entre os dias 30 de setembro e 2 de outubro de 2015.

Na parte 2, estão alguns textos selecionados relativos ao projeto de cooperação desenvolvido entre Brasil e Argentina, mais especificamente no âmbito do Edital no 029/2012 do Programa CAPES-MINCYT, Processo Seletivo 2012, na modalidade Grupo de Pesquisa Conjunto, realizado entre os anos de 2013 e 2015. Tal cooperação se deu entre o Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Paraná e o Observatório de Fenómenos Urbanos y Territoriales da Facultad de Arquitectura y Urbanismo – Universidad Nacional de Tucumán, na Argentina, que desenvolveram o projeto “Para além das metrópoles globais: análise comparada das dinâmicas metropolitanas em metrópoles secundárias no Brasil (Curitiba) e na Argentina (São Miguel de Tucumán)”.

“O conteúdo do livro aponta para questões que se apresentam diante do quadro de intensificação das transformações metropolitanas na América Latina ligadas à globalização, que tendem a aprofundar a precariedade das condições de moradia, de trabalho e de vida de grande parte dos habitantes, integrando, por exemplo, a produção imobiliária formal da moradia dos setores populares aos mecanismos de acumulação financeira, reforçando uma urbanização excludente na região”, aponta Olga Firkowski no texto introdutório da publicação.

“Nesse sentido, o avanço de modelos econômico-políticos neoliberais indica a tendência à continuidade da instalação de milhões de latino-americanos em espaços urbanos precários, informais, sem a regularidade urbanística necessária às condições mínimas de habitabilidade e sem acesso formal à propriedade fundiária urbana. Com isso, reforça-se potencialmente a tendência de mercantilização do território, de privatização do fundo público e de vulnerabilização e segregação socioespacial”, completa a professora.

ESTRUTURA DO LIVRO

O livro “Estudos urbanos comparados: oportunidades e desafios da pesquisa na América Latina” se propõe a registrar o conhecimento produzido tanto por ocasião do Colóquio quanto da realização da pesquisa comparada.

A Parte 1 é composta por quatro capítulos: o capítulo 1, intitulado Oportunidades e desafios da pesquisa urbana comparada, de autoria de Maria Encarnação Beltrão Sposito, oferece uma reflexão acerca do sentido e pertinência do termo comparação no âmbito das Ciências Sociais e, principalmente, da Geografia. Sposito parte dos questionamentos “A comparação é um método? É uma metodologia? Um conceito? Um princípio? Um procedimento?” e estrutura seu texto a partir de quatro planos de aproximação sobre o tema: i) todos que trabalham com pesquisa empírica estão envolvidos com algum tipo de comparação; ii) a comparação é um procedimento intelectual e não um método; iii) há fundamentos que orientam o raciocínio e propiciam a articulação entre o real e o abstrato; iv) os conceitos são orientadores do procedimento intelectual da comparação. Em seguida, aponta os conceitos que tem adotado nas pesquisas que desenvolve.

O capítulo 2, intitulado La comparación como recurso en las teorías urbanas latinoamericanas: trayectos recientes de una metodología invisible, de autoria de Rodrigo Hidalgo, Daniel Santana e Abraham Paulsen, parte do pressuposto de que a comparação é uma ferramenta metodológica importante para o campo dos estudos urbanos, a despeito de ser uma “metodologia invisível” na maior parte dos textos. Para comprovar o argumento de que a comparação está sempre presente nos textos, mas não é, por si só, objeto de reflexão, os autores dedicam-se a um exercício de bibliometria, por meio da análise de 212 textos publicados em 13 livros da Série Geolibros, entre 2003 e 2014, identificando categorias transversais que foram objeto de comparação (globalização, neoliberalismo, metropolização, gentrificação, governança, reestruturação produtiva, produção imobiliária, mobilidade e planejamento), além das áreas de estudo e as escalas que são mais recorrentes nas análises comparadas.

Como pensar o urbano na América do Sul? é o título do capítulo 3, de autoria de Rosa Moura. Nele, a autora apresenta questões acerca das especificidades do urbano na América do Sul, orientadoras de trabalho em desenvolvimento na linha de pesquisa Rede Urbana e Território, em sua escala continental, coordenada pelo Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada – IPEA. A base de dados trabalhada é aquela fornecida pela Divisão de População das Nações Unidas (2014), que oferece informações sobre as aglomerações urbanas com população superior a 300 mil habitantes em 2014.

A autora conclui que o urbano na América do Sul é “diverso, concentrado, denso, móvel, desigual, conectado, excludente, por vezes disperso; organizado em sistemas de cidades que interatuam, que enfrentam fronteiras nacionais e geográficas. Um urbano que desafia a teoria urbana, por exigir novos enfoques de ordem epistemológica, e que traz a reboque políticas públicas descontextualizadas e geridas com pouca austeridade”.

No capítulo 4, José Ricardo Vargas de Faria apresenta algumas Notas sobre estudos urbanos comparados: breves considerações sobre as propriedades de posição, situação e trajetória na comparação entre metrópoles, a partir da leitura atenta dos textos apresentados em uma das mesas do Colóquio, qual seja, Resultados de pesquisas urbanas comparadas. No referido capítulo, o autor tece considerações sobre a natureza da comparação estabelecida entre as metrópoles de Curitiba no Brasil e Tucumán na Argentina, permitindo aos leitores que se apropriem do conjunto de temas tratados na mesa e na pesquisa comparada que deu origem ao próprio Colóquio.

A Parte 2 do livro, também formada por quatro capítulos, apresenta os resultados de algumas das pesquisas realizadas em conjunto pelas equipes brasileira e argentina.

No capítulo 5, Curitiba/Brasil e San Miguel de Tucumán/Argentina: possibilidades e limites de pesquisa comparada, Olga Lucia Castreghini de Freitas-Firkowski e Marta Delia Casares apresentam texto reflexivo acerca das motivações da pesquisa comparada entre Curitiba e Tucumán, além de considerações a respeito da inserção de ambas as metrópoles nas suas respectivas redes urbanas nacionais. Tal texto possibilita compreender as origens do trabalho em conjunto, os temas prioritários de pesquisa e os desdobramentos decorrentes.

Políticas habitacionales en las metrópolis de Tucumán – Argentina y Curitiba – Brasil. Elementos para un abordaje comparado (2000 – 2010) é como se intitula o capítulo 6, escrito por Natalia Paola Czytajlo, Madianita Nunes da Silva e Marta Casares, que analisa as políticas habitacionais nas metrópoles estudadas. São enfatizados dois programas nacionais/federais: o Programa Federal de Construcción de Viviendas, na Argentina, e o Programa Minha Casa Minha Vida, no Brasil, por meio da inserção de indicadores relativos à localização, número de empreendimentos e unidades habitacionais, financiamento e inversão. Os resultados evidenciam questões associadas ao déficit habitacional, ao direito à moradia e ao acesso à cidade, bem como aos processos de metropolização nos casos estudados.

O capítulo 7, intitulado Produção das favelas e villas e estruturação das metrópoles de Curitiba – Brasil e Tucumán – Argentina, de autoria de Madianita Nunes da Silva e Natalia Paola Czytajlo, analisa a produção desses espaços de moradia a partir da década de 1990, período marcado pelo crescimento da informalidade em toda a América Latina. As autoras constatam que a produção das favelas e villas desempenha um papel preponderante na atual fase de estruturação espacial das metrópoles estudadas, identificando-se a emergência de novas relações entre centro e periferia e o aprofundamento da heterogeneidade e da fragmentação socioespacial. Além disso, concluem que o período foi marcado pela ampliação da dificuldade de acesso à terra urbanizada e formal por parte das classes populares, com aprofundamento das desigualdades socioespaciais. De acordo com as autoras, a análise comparada permite afirmar que as produção das favelas e villas constitui um dos fenômenos relevantes para a compreensão da metropolização latino- americana na atual fase da urbanização.

Finalmente, no capítulo 8, El paisaje en los processos de planificación. Desafíos emergentes para las metrópoles de Tucumán y Curitiba, María Paula Llomparte Frenzel e Patricia Alejandra Herrero Jaime tomam a paisagem como uma dimensão de análise nos processos de planejamento, por meio de uma leitura diacrônica-valorativa dos planos urbanísticos tanto de Curitiba quanto de Tucumán. Concluem que a paisagem não é uma dimensão explícita nesses planos, mas uma dimensão interpretativa presente nas propostas de espaço público e áreas verdes, no manejo de recursos naturais, dentre outros. Afirmam, ainda, que a gestão da paisagem demanda a elaboração de instrumentos particulares para o reconhecimento de sua diversidade, a visibilização dos valores nela contidos, a valorização da paisagem degradada etc.

Faça o download do livro Estudos urbanos comparados: oportunidades e desafios da pesquisa na América Latina.



Etiquetado como:
O laboratório da Coordenação Nacional da Rede INCT Observatório das Metrópoles está temporariamente fechado, por conta do incêndio ocorrido, no começo de outubro, no Prédio da Reitoria da UFRJ.

Pedimos que os contatos sejam realizados pelos seguintes e-mails:

Elizabeth Alves
beth@observatoriodasmetropoles.net

Assuntos administrativos

Karol de Souza
karol@observatoriodasmetropoles.net

Assessoria de Comunicação

Breno Procópio
comunicacao@observatoriodasmetropoles.net

Assuntos Acadêmicos

Juciano Rodrigues
juciano@observatoriodasmetropoles.net