Lançamento Cadernos de Arquitetura e Urbanismo nº 22 e 23
A PUC Minas promove o lançamento dos números 22 e 23 dos Cadernos de Arquitetura e Urbanismo, publicação dedicada à divulgação de trabalhos técnico-científicos relacionados à área de arquitetura e urbanismo, especialmente os vinculados às atividades de ensino, pesquisa, pós-graduação e extensão. A edição 22 traz o debate sobre a produção do espaço urbano, consideradas a presença do mercado imobiliário como um agente silencioso e sua contraface, espelhada no processo de organização da sociedade civil para a gestão do espaço urbano, seja por meio de movimentos populares, seja pela ação direta das governanças em suas várias formas.
De periodicidade semestral, os Cadernos de Arquitetura e Urbanismo contam com a qualificação entre B1 e B3 no Sistema Qualis da CAPES, dependendo da área de conhecimento. O periódico é produzido pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas anualmente desde 1993, passando à semestralidade em 2008. Desde 2019, sua edição se dá no sistema SEER – Sistema Eletrônica de Editoração de Revistas, por meio do portal do periódico, no endereço: http://periodicos.pucminas.br/index.php/arquiteturaeurbanismo
Vanessa Brasileiro, coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas, comenta na apresentação do número 22 do Cadernos, que as temáticas apresentadas nesta edição antes de configurar uma fragmentação do campo de conhecimento – resultado da crise na cultura científica? –, corresponde ao caleidoscópio de possibilidades de investigação sobre o qual pode hoje o arquiteto urbanista, bem como o cientista social, o geógrafo, o historiador, o engenheiro civil, se debruçar quando o objeto é o espaço.
O artigo “Non-transparency in real estate markets: a graphical solution, Andreas Dittmar Weisee Lothar Littger, por exemplo, aponta para a necessidade de acompanhar a gestão do solo urbano por meio de instrumentos que garantam o (re)conhecimento dos mecanismos de produção associados ao capital imobiliário. Leandro de Aguiar e Souza analisa em “Dinâmicas socioespaciais intrametropolitanas no contexto da RMBH: uma abordagem da escala local articulada a processos regionais na Operação Urbana Consorciada do Córrego Santo Antônio, Betim, MG” o tema sob a perspectiva do planejamento urbano no âmbito das regiões metropolitanas, considerando as diversas realidades ali encontradas. As transformações no gerenciamento do espaço das cidades brasileiras podem ser percebidas através da relevância adquirida pelos movimentos sociais organizados, como narrado por Alessandra Ribeiro Martins e Wilson Ribeiro dos Santos Junior no artigo intitulado “A senzala salvando a casa grande: o caso da Fazenda Roseira”, episódio em que a requalificação urbana associa-se não apenas à preservação do patrimônio edificado, mas sobretudo à importância da participação popular para a continuidade de tradições ligadas à comunidade negra, frequentemente marginalizada. O mesmo tema é argumento para Maittí Gadioli Monteiro da Silva e o mesmo Wilson Ribeiro dos Santos Junior em “Aspectos da construção da gestão democrática da cidade: a participação popular e o surgimento recente dos conselhos gestores no Brasil”, desta vez com o foco nos conselhos gestores de política urbana. A todo este conjunto de dissertações vem colaborar José D’Assunção Barros por meio do olhar das ciências sociais em “A cidade como forma específica de organização social e suas imagens nas ciências humanas”.
Percebe-se, então, o quanto a compreensão sobre a produção do espaço deve se fundamentar em perspectivas abrangentes, que incorporem outros campos de conhecimento, e recoloquem o arquiteto urbanista em uma posição reflexiva sobre a sua própria atuação.
Se a primeira parte deste número dos Cadernos de Arquitetura e Urbanismo da PUC Minas mostrou-se coesa sob o ponto de vista do objeto – a cidade – a segunda parte aparentemente se coloca como reflexo de uma pulverização dos olhares dos investigadores. Contudo, é o cerne histórico-crítico que a revela coesa, não no objeto, mas no procedimento. Resgata-se Giulio Carlo Argan, para quem a História é um movimento em direção ao futuro. Iniciamos com a discussão de Rodrigo Baeta acerca do discurso retórico instalado a partir do seiscentos em Crise, persuasão e o universo cultural do Barroco, para em um salto chegarmos às análises sobre o modernismo. Em um primeiro artigo, Sulamita Fonseca Lino se debruça sobre a difusão da linguagem modernista por meio das publicações norte-americanas em “A arquitetura moderna latino-americana nas publicações do MoMA: uma modernidade inventada?”. Em seguida, Marcio Cotrim, Nelci Tinem e Wylnna Vidal avaliam, em “Casas de Mario Di Lascio nos anos 1970: rampas, meio níveis e divisão em dois núcleos, a produção de um arquiteto paraibano”, revelando a interpretação autônoma frente aos postulados do movimento moderno. Felipe Palmer Caldeira Parreiras de Faria avança no tempo e resgata o tema das vanguardas dos anos 1960 em “Vanguarda e contracultura na construção do espaço”. Por fim, Gilda Lúcia Bakker Batista de Menezes investiga novos processos de produção da arquitetura, apresentando “Breve Histórico de Implantação da Plataforma BIM”.
Assim, as retrospectivas do Cadernos nº 22 perpassam o Barroco, as vanguardas, o modernismo até alcançar a produção digital dos dias atuais. O que se configuraria como fragmento, dispõe-se como reflexão crítica.
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