Megaeventos e UPPs: Rio de Janeiro e a imagem de “cidade segura”
O pesquisador Christopher Gaffney foi o representante do INCT Observatório das Metrópoles na Conferência Internacional da Royal Geographic Society, realizada neste começo de julho na cidade de Edimburgo/Escócia. A participação serviu para apresentar parte dos resultados do projeto “Metropolização e megaeventos”, com enfoque para o tema da segurança pública e vigilância urbana nos eventos esportivos. Segundo Gaffney, o caso das UPPs representa uma nova dinâmica de segurança no Rio de Janeiro: a imagem de “cidade segura” sendo responsável pela reconfiguração urbana do território vinculada às demandas do mercado imobiliário.
Por muitas décadas, o Rio de Janeiro tem sofrido com a violência generalizada, serviços públicos de baixa qualidade e relações de classe profundamente conflituosas. Com a escolha da cidade para sediar o Mundial da Fifa e os Jogos Olímpicos, gerou-se a expectativa de transformação desse quadro. No entanto, o que se tem verificado é um movimento de acumulação acelerada de capital, com o estado assumindo o papel de “pacificador” de áreas estratégicas. Com o título “Deadly Games: shifting security dynamics in Rio de Janeiro”, Christopher Gaffney discutiu na Conferência Internacional da Royal Geographic Society (RGS) o modelo de reconfiguração do território do Rio de Janeiro.
Acesse o resumo das apresentações da mesa da RGS sobre “Segurança e Vigilância nos megaeventos urbanos: a cidade olímpica” aqui.
O geógrafo norte-americano Christopher Thomas Gaffney é professor visitante na Escola de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), pesquisador do projeto “Metropolização e Megaeventos”, coordenado pelo INCT Observatório das Metrópoles e financiado com recursos da FINEP, e integrante do Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio. No blog geostadia.com, ele analisa os megaeventos no Brasil no tocante ao legado que ficará para a população brasileira em relação aos equipamentos esportivos, à mobilidade e à infraestrutura urbana. Além disso, Gaffney usa o geostadia.com para dialogar com a comunidade internacional e denunciar as violações dos direitos humanos que têm ocorrido no Rio de Janeiro durante os preparativos dos jogos.
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Tema: Segurança Pública
Uma das prioridades dos organizadores dos megaeventos é a organização da segurança pública. Seja a Copa do Mundo, as Olimpíadas ou uma conferência internacional das Nações Unidas como a Rio+20, tais eventos reúnem importantes autoridades e chefes de Estado de diversos países, centenas de milhares de turistas internacionais e nacionais, equipes com seus atletas multimilionários, repórteres e jornalistas de diversos canais de comunicação, produtores, VIPs e VVIPs, entre outros.
No Rio de Janeiro, onde a segurança pública é considerada uma questão sensível, defende-se a necessidade de medidas extraordinárias de segurança. Mas cabe perguntar o que está sendo segurado, como, onde, e quais serão os efeitos de curto, médio e largo prazo das medidas que estão sendo adotadas.
Tomando o caso do Rio de Janeiro como paradigmático, podemos perceber que os novos sistemas de segurança pública estão voltados para atender os interesses do mercado, usando medidas baseadas em armamentos pesados, na importação de tecnologias de última geração e na centralização de comando e controle visando vigiar as zonas turísticas e as infraestruturas voltadas para os eventos (estádios, centros de treinamento, transporte, centros de mídia, hotéis). Como foi evidenciado nas últimas edições das Olimpíadas e das Copas Mundiais de Futebol, o aparato de segurança não se estende na cidade de forma igualitária, mas tende a estar focado em pequenos delitos e na repressão do mercado informal em favor dos interesses das grandes empresas. Identificadas como ameaças, algumas categorias sociais e algumas áreas da cidade são os alvos preferenciais dos novos aparatos.
Antecipa-se que o aparato de segurança armada da Copa do Mundo custará R$2,1 bilhões e envolverá 53.000 novos agentes. Esse investimento é mais do que dobro gasto na última Copa, realizada na África do Sul. O povo brasileiro terá que arcar com todos os custos de segurança dos jogos e dos espaços a eles relacionados (Fan Fests, entorno dos estádios, aeroportos, etc.). Conforme o Artigo 40 da Lei Geral da Copa, a União “promoverá a disponibilização para a realização dos Eventos, sem qualquer custo para o seu Comitê Organizador, de serviços de sua competência relacionados, entre outros, a segurança; saúde e serviços médicos; vigilância sanitária; e alfândega e imigração.”
Acesse o conteúdo integral de “Segurança pública nos megaeventos do Rio” aqui.








