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Eixo 1 - Desenvolvimento Econômico

No que se refere ao primeiro eixo analítico, desenvolvimento econômico, o objetivo é avaliar os impactos econômicos sobre as metrópoles sob o ponto de vista da integração social e da justiça social, identificando-se os setores e os agentes que estão sendo, ou serão, beneficiados ou impactados negativamente pelas intervenções. Busca-se, entre outros aspectos, identificar processos de dinamismo ou de concentração/desconcentração econômica; eventuais processos de aumento/redução da dívida pública; indicadores de sustentabilidade dos investimentos realizados; impactos sob o ponto de vistas do crescimento do emprego e da renda, com ênfase no setor popular e informal da economia.

Para tanto, metodologicamente foram identificados dez aspectos em torno dos quais serão desenvolvidas as análises: (1)  Orçamento da Copa e das Olimpíadas; (2) Receita pública; (3) Investimento público; (4) Investimentos internacionais; (5) Setores econômicos; (6) Empresas envolvidas; (7) Empregos; (8) Parcerias enter os setor público e o setor privado; (9) Setor Informal; e (10) Setor turístico.

No que se refere aos custos dos megaeventos monitorados, é fundamental observar (i) aqueles decorrentes das exigências de investimentos dos organismos internacionais e aqueles previstos para os demais projetos complementares; (ii) a composição do orçamento, tendo em vista os recursos oriundos do setor público e do setor privado; (iii) os custos efetivamente realizados no decorrer da intervenção; (iv) a origem dos recursos utilizados, sejam estes públicos (orçamento público a fundo perdido ou empréstimos onerosos) ou privados (nacionais ou estrangeiros).

Toma-se como hipótese que a realização da Copa do Mundo de Futebol 2014 e das Olimpíadas 2016 tem como agente econômico protagonista o poder público, responsável ou pelos investimentos diretos ou pelo financiamento das intervenções vinculadas à esses megaeventos, o que permitiria indagar: (i) o papel dos investimentos públicos na agregação dos múltiplos interesses que conformariam uma nova coalização em torno da governança empreendedorista empresarial nas metrópoles brasileiras, definindo novas esferas decisórias onde esses investimentos seriam efetivamente planejados; (ii) o papel dos investimentos vinculados à Copa do Mundo e às Olimpíadas na indução do crescimento econômico nacional, proporcionado em menor escala pelos investimentos nos estádios e equipamentos esportivos, e mais pelos investimentos em aeroportos e infraestruturas urbanas previstos nos projetos, e o possível fortalecimento da importância das metrópoles na dinâmica econômica brasileira; (iii) o papel dos investimentos públicos na conformação de uma base de aliança do governo federal, envolvendo os governos estaduais e municipais, partidos políticos e agentes sociais e econômicos.

No que se refere à análise dos setores e agentes econômicos, busca-se identificar (i) a distribuição setorial  dos investimentos públicos relacionados às intervenções voltadas à Copa e Olimpíadas (segurança, mobilidade urbana, educação, saúde, etc); (ii) o desempenho dos diferentes setores da economia na composição do Produto Interno Bruto - PIB, verificando aqueles que cresceram ou diminuíram sua participação proporcional (com especial atenção para os setores da construção civil, do turismo, e do entretenimento, como arte, cultura, etc.); (iii) o perfil das empresas contratadas (por tamanho das empresas – grandes, médias e pequenas) e a eventual recorrência nas contratações das mesmas; e (iv) o desempenho do nível de desemprego e o perfil dos empregos criados (se possível por setor da economia).

Toma-se como hipótese que as intervenções vinculadas à Copa do Mundo e às Olimpíadas beneficiariam mais certos grupos econômicos, vinculados aos setores financeiros (bancos), obras públicas, setor imobiliário, turismo, e esportes. Além disso, poder-se-ia verificar uma recorrência das grandes empreiteiras contratadas para a execução das obras pelo fato delas se constituírem agentes estratégicos da nova coalização que lideraria a governança metropolitana empreendedorista empresarial, ao mesmo tempo em que observar-se-ia uma pulverização dos médios e pequenos contratos entre outras empresas.