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Notícias
Seg, 03 de Dezembro de 2012 01:19

 

 

O Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas convoca a sociedade civil para participar, no próximo sábado (01/12), do Ato Unificado contra a Privatização e as Demolições do Complexo do Maracanã. A ação representa o grito de indignação da população carioca contra o modo arbitrário que o Governo do Estado do Rio de Janeiro tem realizado o processo de privatização do Maracanã: projeto que prevê a demolição do Estádio Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio De Lamare, do antigo Museu do Índio e da Escola Municipal Freidenreich com o objetivo de ceder à iniciativa privada a gestão do estádio pelos próximos 35 anos. O ato unificado partirá da Praça Saens Peña, na Tijuca, e seguirá rumo ao Estádio Mário Filho. Participe!

 

O debate sobre a reforma do Estádio Mário Filho, o Maracanã, tem sido polêmica, pouco transparente e bastante arbitrária por parte do Governo do Estado do Rio de Janeiro – representado pelo governador Sérgio Cabral. Segundo o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, o que se vê é o mau uso do dinheiro público e um projeto de elitização do estádio, que nasceu popular e se consagrou no mundo todo por ser um espaço democrático. Em 1999, por exemplo, foram gastos o equivalente a R$ 237 milhões na reforma para o Mundial de Clubes da FIFA; para o Pan de 2007, com a promessa de deixar o estádio pronto pra Copa, foram mais R$ 397 milhões.

 

O projeto de reforma do Maracanã que está sendo implementado pelo Governo do Estado do Rio prevê a concessão do estádio à iniciativa privada a partir de um contrato com duração de 35 anos, o qual será assinado em 2013. O investimento previsto para o futuro concessionário é de R$ 469 milhões, sendo que as obras de reforma já consumiram R$ 400 milhões de financiamento federal.  As intervenções no Complexo do Maracanã incluem a instalação de duas mil vagas de estacionamento; criação de área com bares, restaurantes e lojas; a modernização do Maracanãzinho; e a construção do Museu do Futebol. Para garantir a readequação da área, o edital prevê a demolição do Estádio Célio de Barros e do Parque Aquático Júlio de Lamare e a reconstrução dos dois centros de treinamento em área próxima; e a demolição do antigo Museu do Índio.

 

Para o Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, o projeto de reforma atual do Maracanã privilegia, mais uma vez, a iniciativa privada e negligencia um dos principais compromissos dos megaeventos esportivos Copa do Mundo e Jogos Olímpicos: a produção de um legado efetivo para a população do país sede, seja em equipamentos esportivos para o uso da população, ou benfeitorias no sistema de transporte, saúde e de infraestrutura urbana. Quando um projeto se viabiliza para possibilitar o lucro de algumas empresas privadas (concessionárias) em detrimento do bem estar da maioria da população, o poder público deixa de cumprir sua função.

Seg, 03 de Dezembro de 2012 00:54

 

CONTRATO FIFA: fechamento de ruas, indenizações e desrespeito à legislação brasileira

Durante a Copa do Mundo em 2014, as cidades-sede irão abdicar de parte de sua autoridade em favor da Fifa. É o que se pode deduzir a partir do contrato assinado pela Prefeitura de São Paulo, em setembro de 2011, com a entidade que governa o futebol mundial. O documento, divulgado no dia 06 de novembro por recomendação do Ministério Público Federal, garante poderes à Fifa durante o megaevento esportivo, como a definição de zonas de exclusão e o fechamento de ruas; o direito da entidade de receber indenizações por quebras de contrato e o desrespeito à legislação brasileira – caso da Lei de Licitações e Lei da Cidade Limpa.

 

O contrato “Host City Agreement” foi assinado pelo atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, em setembro de 2011 a fim de definir os direitos e obrigações da Prefeitura e do Comitê Organizador Local (COL) para a realização da Copa. Esse documento é o mesmo que foi firmado pelas demais cidades-sede, o que significa que a ingerência da Fifa é nacional. Tal compromisso está no contexto do pacote de concessões que o governo federal ofereceu para trazer a Copa e a Olimpíada de 2016 - incluindo visto de entrada no País irrestrito a clientes da Fifa, fim da obrigatoriedade de mandado judicial para apreender produtos suspeitos de pirataria e permissão para que o organizador de grandes competições esportivas privadas conceda benefícios fiscais, uma atribuição exclusiva da Receita Federal. (ver Lei Geral da Copa)

 

Para o professor-convidado da UFF e pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles, Christopher Gaffney, o contrato é mais um indício de que a realização de uma Copa do Mundo tem significado, cada vez mais, a transferência de recursos públicos para a iniciativa privada. “No documento fica claro que a Fifa não tem que arcar com nenhum recurso financeiro; a única responsabilidade da entidade é com a propaganda. Em contrapartida, a cidade-sede deve reformar ou construir toda a infraestrutura, treinar pessoal, oferecer segurança, transporte, e custear a gestão de todo esse aparato durante o megaevento esportivo. Porém, se algo der errado, a Fifa não tem nenhuma responsabilidade, tem sim direitos. A entidade pode exigir ressarcimento da cidade-sede por perda ou dano; enquanto a cidade-sede renuncia do direito de pedir ressarcimento da Fifa. É um contrato que todo mundo quer fazer”, explica.

 

O trecho ao qual o professor Christopher Gaffney se refere é a Cláusula 33 que trata das indenizações entre as partes – Fifa e cidade-sede. A cláusula 33.6, por exemplo, protege a Fifa caso alguma cidade seja excluída da Copa. Este cenário pode ocorrer se a cidade-sede violar algum termo do contrato, se houver um incidente de força maior ou se o município declarar insolvência. O documento protege a entidade que rege o futebol de que seja reivindicada qualquer indenização e, ao mesmo tempo, faz com que a cidade pague ressarcimento à Fifa e ao COL. Além disso, as cidades-sede poderão ter que ressarcir a Rede Globo em caso de danos devido a sua condição de emissora principal.

Seg, 24 de Setembro de 2012 23:44

 

O Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro realiza, na terça-feira (25/09), o debate "O Maraca é Nosso?" na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) que contará com a presença do jornalista da ESPN Mauro Cezar Pereira. Haverá exibição de episódios do Canal 100 e do documentário “Geral”, que retrata os últimos dias da Geral do Maraca.

 

O debate contará com a participação dos pesquisadores Erick Omena (IPPUR/UFRJ) e Chris Gaffney (EAU/UFF), além do próprio Mauro Cezar e de Anna Azevedo, diretora de “Geral”. Haverá ainda uma exposição de fotos do Comitê e um espaço de intervenção da Aldeia Maracanã, que ocupa o prédio histórico do antigo Museu do Índio, que é vizinho ao estádio e corre risco de ser demolido para a Copa do Mundo.

 

O evento é gratuito e é uma realização do Comitê Popular da Copa com o apoio da Faculdade de Serviço Social e do Diretório Central dos Estudantes da UERJ. Divulgue e participe!

 

SERVIÇO

 

‘O Maraca é Nosso?’

Terça-feira, 25 de setembro, 18h30

Auditório 93 da UERJ – Maracanã

Sáb, 02 de Junho de 2012 20:27

Protesto marcado para este domingo (03/06), em Ipanema, a partir de 14h, promete atrair centenas de pessoas que querem, além de impedir a concessão para a iniciativa privada, a garantia de setores populares no estádio e o respeito à forma de torcer do brasileiro. Os torcedores prometem fazer barulho em frente à casa do governador do estado do Rio de Janeiro.

O protesto é organizado pela campanha ‘O Maraca é Nosso!’, que reúne torcedores de vários times.

Mais informações no site do Comitê Popular da Copa: http://comitepopulario.wordpress.com/

 

ATO DA CAMPANHA O MARACA É NOSSO!



Domingo, 3 de junho, na praia de Ipanema


Concentração às 14h em frente ao Posto 9

Seg, 14 de Maio de 2012 14:20

Porto Alegre será uma das cidades-sede da Copa do Mundo de 2014. No movimento de “renovação” da cidade para receber o megaevento esportivo uma série de questionamentos podem ser feitos: Como a cidade está se preparando? Quais as principais ações dos agentes políticos, econômicos e sociais no processo de preparação da cidade para o Megaevento? Quais os legados da Copa do Mundo para a população de Porto Alegre? Como a gestão urbana está respondendo às exigências dos organizadores? Quais os principais impactos das obras da Copa sobre as populações locais?

Estas e outras questões serão discutidas em mesa de debates sobre a Copa do Mundo de 2014 organizada pelo Observatório das Metrópoles – Núcleo Porto Alegre, sob a coordenação do professor Paulo Roberto Rodrigues Soares (Depto. de Geografia/UFRGS, Observatório das Metrópoles, Núcleo Porto Alegre). O evento ocorre dia 17 de maio, quinta-feira, às 19 horas, no auditório da Faculdade de Economia da UFRGS (Av. João Pessoa, 52).


Qui, 10 de Maio de 2012 17:05

Copa do Mundo e Transparência: os impactos para Curitiba

O Observatório das Metrópoles núcleo Curitiba, o Instituto Ethos, o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (CREA-PR) e organizações da sociedade civil promovem, no dia 10 de maio, o debate “Copa do Mundo 2014 e seus impactos para Curitiba”. O propósito do evento é abrir espaço para a população curitibana conhecer e discutir como estão sendo feitos investimentos governamentais para a realização do campeonato mundial de futebol no Paraná e no Brasil.

Sex, 14 de Setembro de 2012 22:52

 

A militarização e a privatização do espaço urbano, as experiências de controle de multidões, a criminalização da pobreza – livrando a cidade dos “indesejáveis” a partir de processos de “limpeza social”, a assinatura de contratos internacionais para a compra de armas, a importação e a implementação de apetrechos de guerra, e o estabelecimento de estados e cidades de exceção – tudo isso faz parte do contexto de preparação dos megaeventos esportivos. Leia a resenha do livro “Security Games: surveillance and control at megaevents”, escrita pelo professor Christopher Gaffney.

 

 

Colin Bennett and Kevin Haggerty (eds) Security Games: Surveillance and Control at Mega-events. Routledge: New York, 2011; 194 pp. ISBN 9780415602624, £70.00 (hbk)

 

Reviewed by Christopher Gaffney, Fluminense Federal University, Brazil

 

In an era of hyper-accelerated economic integration, the impact and cost of sport mega-events have grown in concert with their political and symbolic capital. The massive public expenditures on these short-lived events are occurring in the face of growing conflicts resulting from the decades-long implementation of neo-liberalizing regimes. Riots in Athens and London may not be specifically related to the Olympic Games of 2004 and 2012, but they also cannot be separated from the macro-economic policies that promote public risk and private profit, or the micro-spatial tactics of neo-liberal governance that fragment cities while separating, isolating, and surveilling “threats”.

 

The periodicity of mega-events makes them particularly apt vehicles for studying the localized implementation of larger trends and patterns, tactics and practices. These events are always critical conjunctures of the local and the global, the public and the private. These conjunctures accelerate existing trajectories, transforming cities into laboratories and populations into hosts (p. 41).

 

Until relatively recently, the impacts of sports mega-events were felt more in the social and cultural realms than in the governmental and spatial. For instance, the soccer World Cup competitions – France ‘98, USA ‘94, and Italia ‘90 – had relatively minor impacts (with the exception of Paris’s Stade de France) upon the cities in which the matches were played. Every subsequent World Cup has, as this volume demonstrates, profoundly changed the spatial and social dynamics of host cities. The Olympics have followed a similar path, with each subsequent Games increasing in scale, scope and impact. The Olympic motto “stronger, higher, faster” takes form on Olympic landscapes. This excellent volume makes clear that some of the most profound and lasting impacts are in the realms of security, surveillance, and control.

 

Readers of Security Games will already be familiar with most of the academic concepts contained within. For students, teachers, and researchers new to the mega-event world this book will be excellent for vocabulary-building and theory testing. I found the volume to be tightly organized and surprisingly fresh, chapter after chapter. The case studies were well chosen, though more ethnographic analysis of the experience of security before, during, and after events would allow the mind to move laterally. The weakest chapters would be excellent on their own and did not detract from a tightly-packed book. I was particularly taken by the theoretical depth of the concept of “security”, particularly in Pete Fussey and Jon Coaffee’s chapter “Rethinking security at the Olympics”. The editors have taken great pains to provide a template for thinking about mega-event security that touches upon most of the salient themes. In addition to serving as an excellent reference for researchers and journalists (my notes ran to nearly twenty pages, full of zinging quotes), the book should be included in every course regarding mega-events and sports management.

 

Connecting the case studies of Security Games to research being conducted in Rio de Janeiro was all too easy. The militarization and privatization of urban space, the experiments in crowd control, the criminalizing of poverty, ridding the city of “undesirables”, a preternatural obsession with securing corporate rights, the discarding of human rights, processes of “social cleaning”, signing international arms contracts, importation and implementation of the accoutrements of war, the establishment of states and cities of exception – all this is well under way wherever megaevents occur. It is all very depressing.

 

I share the perspective of the authors that society should privilege human rights over market opportunities, citizen rights over corporate, and democracy over autocracy. The story narrated in Security Games is of an inevitable increase and acceleration of the implementation of authoritarian and militarized systems of surveillance and control in order to guarantee the transfer of public money to private coffers. Mega-events hasten security processes and regimes that might take decades to develop on their own, leaving new, invasive and deadly technologies strewn unevenly across the urban fabric. As Molnar and Snider note regarding Vancouver 2010, mega-events are “strategies that normalize accumulation, displace insecurity onto marginalized populations and the environment, and reproduce the social conditions necessary for capital accumulation” (p. 157). Once the event has passed, these systems, strategies, technologies, and knowledges remain, often in new and “innovative” forms. The detail and depth at which Security Games tracks these developmentsin mega-event cities and countries since 2002 is as impressive as it is important and scary.

 

Acesse a resenha complete do livro “Security Games: Surveillance and Control at Mega-events” aqui.