Assine nossa newsletter


Eixo 2 - Equipamentos e Serviços Urbanos

Com a realização da Copa do Mundo de Futebol em 2014 e dos Jogos Olímpicos em 2016 diversas obras, seja de infraestrutura urbana seja esportiva, vêm sendo construídas nas cidades-sedes. Isto posto, o eixo 2 procura pesquisar, sobretudo, o grau de acesso da população aos equipamentos que serão construídos.

Neste sentido, metodologicamente, o eixo em tela é subdividido em 5 seções: (i) acesso ao esporte e lazer; (ii) acesso à mobilidade, (iii) acesso à saúde e educação, (iv) acesso à segurança e (v) acesso à Copa do Mundo e às Olimpíadas (este não entendo: quer dizer aos eventos esportivo como tais?

Em relação à primeira seção, dois tipos de acesso podem ser considerados: o primeiro seria o acesso ao lazer, que se traduz na entrada efetiva de torcedores durante e após os eventos – principalmente no que se refere aos jogos da Copa do Mundo de Futebol e dos campeonatos nacionais -. O segundo, e talvez o mais importante, é o acesso à prática do esporte através de políticas públicas, tais como o incentivo da prática esportiva nas escolas, a construção de instalações que atenderiam diversas modalidades do esporte nas cidades, entre outros.

No que concerne às políticas públicas empreendidas para a ampliação do acesso à cidade, isto é, à melhora em matéria de mobilidade, a pesquisa basar-se-ia na hipótese de que a realização dos megaeventos esportivos acarreta impactos na dinâmica social, o que pode desencadear um acirramento das desigualdades sociais, aliados a um processo crescente de privatização dos serviços e desenvolvimento de determinadas áreas da cidade em detrimento de outras. Ou seja, os investimentos urbanos em matéria de transportes metropolitanos e mobilidade, se atenderem a lógica da governança empreendedorista empresarial, poderiam favorecer determinadas áreas, principalmente aquelas eleitas para receber os jogos, relegando o restante da cidade ao esquecimento. Neste sentido, haverá que pesquisar os impactos sobre a acessibilidade e a mobilidade, em termos dos investimentos realizados em infraestrutura, equipamentos e usuários á quem realmente tais obras irão beneficiar.

Na mesma lógica, cumpre analisar, dentre estes investimentos, aqueles destinados à saúde e à educação pública. O objetivo é pesquisar os recursos destinados para a provisão do atendimento médico para os visitantes nas cidades-sedes. Além disso, cabe verificar as demandas extras que um evento do porte da Copa do Mundo ou Olimpíadas impõem sobre os sistemas de saúde municipais. Em relação á educação, supõe-se que as férias estendidas durante os eventos terão um efeito negativo sobre o nível de educação em geral. De outro lado, como efeito positivo, a pesquisa analisará os programas em línguas estrangeiras para taxistas e trabalhadores, sobretudo do setor turístico que serão implantados pelo governo federal

Já o item segurança vem sendo reduzido, no contexto dos megaeventos, aos índices de criminalidade, de prevenção de crime e da proteção corporal dos espectadores, jogadores, chefes de estado e comitivas, entre outros. Embora se reconheça as limitações desta definição, pois o conceito de segurança deveria abranger também aspectos relacionados com os direitos humanos (saúde, educação, emprego, etc), esta seção lançará luz sobre a distribuição geográfica da cobertura policial. O resultado esperado é traçar um mapa, estabelecendo onde existe assistência policial ou não, expressado através do número de delegacias e de contingente de efetivos.Em relação ao acesso à Copa do Mundo e às Olimpíadas refere-se aos custos dos ingressos e o sistema de distribuição, acesso ao espaço público para ver as competições tele-visualmente, e a implementação dos mecanismos formais para a população recebesse visitantes às cidades (que se considera parte do intercambio cultural dos eventos). O base de análise será a Lei da Copa e definirá modificações das leis vigentes (Estatuto do Torcedor) e uma comparação dos modelos de distribuição dos ingressos das Copas de 2006 e 2010 e as Olimpíadas de 2012 com o provável sistema pelos eventos no Brasil.